A influência dos influenciadores
Alguns
amigos e conhecidos me sugeriram mais de uma vez que eu poderia ser uma blogueira,
influenciadora digital, Youtuber (ou seja lá como se escreve tudo isso) sobre
vinhos, já que estudei e ainda estudo o assunto. Ainda não sei se aceitei ou
não a ideia, só sei que gosto de falar e escrever sobre o assunto apesar de não
escrever com muita frequência (criei o blog mas esqueço dele às vezes,
desculpem). A verdade é que não quero ser mais uma no meio de tantos outros sem
saber se não vou ser confundida com mais uma caçadora de curtidas sendo que
quero ser uma educadora, quero ajudar, instruir, tirar dúvidas.
A
internet é uma vasta fonte de informações e é ótimo que os enófilos estejam
cada vez mais interessados em buscar conhecimentos. Cada dia surgem novos
influenciadores digitais ditos entendidos do assunto, desde sommeliers,
enólogos até outros enófilos que gostam de compartilhar suas experiências e que
têm um número astronômico de seguidores. Alguns postam análises bastante
completas e instrutivas sobre os vinhos e outros apenas uma foto com um “não
gostei” ou “amei”.
Outro
dia me deparei com um post de alguém com milhares de seguidores que falava sobre o teor de açúcar dos vinhos,
apresentava as classificações, as concentrações de cada uma e terminava dizendo
que os vinhos suaves têm açúcar adicionado e são de qualidade inferior. Oi?! PARA
TUDO! Quer dizer que o Chateau D’Yquem de R$ 5.000 é de qualidade inferior? Não
né! Volta a fita. Se é para falar sobre a classificação dos vinhos finos em
relação ao açúcar, aí vai ela, de acordo com a legislação brasileira em gramas
por litro de açúcar (g/l):
Seco
– até 4 g/l;
Demi-sec,
meio seco ou meio-doce – de 4 a 25 g/l;
Suave
ou doce – de 25 a 80 g/l.
Reforçando:
suave é o mesmo que doce, ou seja, não tem nada a ver com a qualidade do vinho,
somente com a quantidade de açúcar contido nele, seja o açúcar da uva ou
adicionado. A questão da adição do açúcar, aqui no Brasil é permitido e é uma
prática mais comum em vinhos de mesa, aqueles que são feitos de uvas americanas.
Mas em muitos casos, como naquele citado acima, que é um vinho botritizado (vinho
feito com uvas atacadas por um fungo específico sob condições específicas),
raro e caríssimo, é claro que não há adição de açúcar, até porque ele é
produzido na França, onde a prática é proibida. Outros vinhos que são suaves e
não levam açúcar são os Colheita Tardia (ou Late
Harvest) feitos com uvas colhidas tardiamente, ou seja, que ficam mais
tempo na planta, então há uma concentração maior de açúcar na uva e a
fermentação do mosto é interrompida havendo uma sobra de açúcar da uva no vinho
que fica doce naturalmente e eles são deliciosos como vinhos de sobremesa – e
não são caros como alguns devem estar pensando agora.
Então,
aquele post foi informativo? Não. Era para falar da classificação de açúcar, só.
Confundiu. Desinformou.
Para ficar claro: Existe vinho suave barato e com açúcar adicionado? Sim! Existe vinho suave com açúcar da uva chiquérrimo e caro? Tem também. Existe mercado para ambos? Com certeza.
Tem
muita gente que estuda pacas e apresenta conteúdo de forma super fácil de
entender, e eu posso até indicar uns perfis para vocês seguirem que
eu acho informativos, como o @WineFolly, que vivem de produzir material sobre
vinho, como livros, pôsteres, mapas e infográficos, ah os infográficos... AMO! Tem
também órgãos oficias que promovem ações informativas e quem gosta de vinho
pode seguir e ganha muito com isso, como a @vinhosdobr do Ibravin, que além de
vinhos informa sobre suco de uva. Tem um cara que vocês já devem ter visto em
novela e é sommelier também e assim como eu levanta a bandeira do vinho
nacional, o Antonio Calloni (@per_bacchum) sempre posta suas impressões dos
vinhos que toma e harmonizações que faz com eles, acho bem construtivas. Eu, ao
contrário dele, não gosto muito da ideia de expor muito essa minha cara redonda,
quem me segue no Instagram (@enogastronomica_mente) não viu uma foto minha lá, quero compartilhar mesmo
vinho e comida, não acho que minha cara vai agregar em nada. É, acho que Youtuber não rola mesmo, prefiro escrever...
Não sei quanto
ao meu futuro digital, mas com certeza seguirei difundindo conhecimentos sobre
vinho, aprendendo e ensinando sempre, tanto no mundo real quanto digital.
Querem
que eu fale mais sobre informações desencontradas da internet? Mitos e verdades
do mundo do vinho? Aceito sugestões de assunto para o próximo post.
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