Um mês em Pinto Bandeira

Estou atualmente na pequena localidade de Pinto Bandeira, ex-município, distrito de Bento Gonçalves, predominantemente rural.
População: em torno de 3000 habitantes (foi o que me disseram).
Economia: produção de uvas e pêssegos, algumas vinícolas.

Pra quem me conhece, deve estar pensando: WTF??? O que essa doida tá fazendo aí?
Estou fazendo estágio na Cooperativa Vitivinícola Pompéia, mais especificamente no laboratório.

Fatos:
O povo aqui não é muito de falar português, usam bastante o dialeto típico da serra gaúcha, derivado de algum outro dialeto da Itália;
Muitas casas não tem portão, grade nem ao menos uma cerquinha na frente;
Quase ninguém usa a porta da frente da casa, todos entram pela cozinha;
Como o povo não me conhece, me olham com uma estranha e daí eu digo “bom dia!”;
Não tem agricultor pobre, muito pelo contrário, tem produtor de uva que anda de camisa remendada e chinelo de dedo com patrimônio de, pasmem, uns 5 milhões;
O ônibus que vai pra cidade (uns 20km de distância) custa R$ 7,30, só tem 4 horários por dia e, nas férias, não tem ônibus aos domingos;
Os mercadinhos são bem como aqueles que meu pai costuma descrever, os tais “secos e molhados” de antigamente, que tem banha de porco, chinelo, vela e fósforo na mesma prateleira.

Em breve acaba a safra e volto pra civilização.

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